Crédito: Wanderlei Losovoi Jr.

 

Lá vem ele chegando à estação
Com seu apito, sua luz vencendo a cerração

Lá vem o trem, sobre trilhos, sobre dormentes
Conduzindo carga, gente, corações e mentes

Maquinista, qual seu nome, sua graça?
Quanta paisagem, quanto rosto em sua vida passa?

Rostos que embarcam, feições que desembarcam
Passos rápidos entre pessoas que não se falam

Olhares 43, olhares atentos e temidos entre desconhecidos
Mas na luz do comboio, seu forte olhar levando todos aos seus destinos

Olhar de luz que vence a escuridão dos túneis, da noite fria
Luz, aquela eterna, que venha clarear alguma mente sombria

Luzes que rompem o breu, o cinza da neblina
Iluminem as almas deste povo, iluminem sua sina

Ao sinal da Estação da Luz, a idosa passageira faz o sinal da cruz
Ao sinal que vem do céu, a anônima passageira segue sob o destino que a conduz

George André


o trempoema